segunda-feira, 26 de outubro de 2020

Caridade profana

Fazer caridade esperando recompensa divina, não é caridade!
A prática da caridade é a base de todas as religiões, onde os seus seguidores de uma forma muito artificial, em que dedicam uma pequena parcela da sua vida na intenção de ajudar o seu próximo. As pessoas realizam essa prática, não porque ama o seu próximo, mas na forma de barganhar com Deus, pois acredita fazendo tais funções irá ser recompensado. Então as pessoas falam “Faço isso pelo Cristo!”, “Faço isso pelo Budha!”, e assim por diante, nunca faz por si próprio, mas sim, para ser recompensado pelos seus atos. As pessoas são interesseiras, e não são muitos diferentes quando se relacionam com Deus, porque acreditam realizando práticas espirituais serão recompensadas com coisas materiais.

Uma vez um rei disse ao monge: “Monge fiz muitas caridades, construí templos, dei muito dinheiro para os monges, ou seja, doei terras e dinheiros para Sangha. Então me responde monge, não sou um homem de virtude, e quando morrer irei diretamente para o Céu!”. Então o monge respondeu: “Você não é um homem de virtude, e quando morrer irá diretamente para o inferno. Você quis comprar o Céu, e Ele não pode ser vendido!”.

Essa história reflete muito bem para aquelas pessoas que dedicam as suas vidas nas igrejas e templos, realizam trabalhos devocionais e voluntários, mas tudo na função de obter recompensa materiais, esperando sempre o retorno. Quando a pessoa pensa dessa forma, o Céu deixa de lado, nunca terá retorno dos seus “bons atos” que na verdade foi um jogo de interesse com Deus.

De acordo com os Vedas existem 3 tipos de caridades, o modo da ignorância, da paixão, e da bondade. A caridade no modo da ignorância é quando dá dinheiro para a pessoa comprar drogas ou álcool, onde prejudica o individuo. Pode ser incluído também ajudar pessoas que praticam atos ilícitos. O modo da paixão é quando a pessoa faz uma divulgação da sua caridade na forma de se promover, por exemplo, ele faz uma doação para uma escola, mas manda colocar uma placa para mostrar que foi ele que fez a obra. O modo da bondade é quando faz as coisas sem interesse, nunca espera resultados.

Às vezes a pratica da caridade da ignorância, pode ser o modo da bondade, por exemplo, na rua havia um homem bêbado pedindo para todo mundo pagar uma lata de cerveja para ele, mas todo mundo se recursou, começaram a xingá-lo e até mesmo agredi-lo. Um outro homem vendo a tal situação, viu que o rapaz era alcoólatra, não sabia mais o que estava fazendo, então resolveu pagar 2 latas de cervejas, somente na intenção do cara ir embora do local. O homem reparou se não fizesse isso, o rapaz iria apanhar, então resolveu pagar a bebida para fazê-lo retirar do local. Apesar de que nessa situação parece caridade no modo da ignorância, na realidade foi no modo da bondade.

Nunca devemos levar o conhecimento ao pé da letra, devemos aprender a interpretar o contexto da história, o momento que ocorreu o fato, o que poderia acontecer caso não intervisse a situação. Não devemos ser radicais com o nosso pensamento, mas sim aprender analisar sempre a situação presente, qual é o contexto que está ocorrendo na hora, para aprender agir de uma maneira correta e justa.

A verdadeira caridade é quando não se identifica com ela, realiza as suas atividades e esquece em seguida, porque se tornou tão normal, que ficou até mesmo banal. Não fica se exibindo, querendo mostrar as suas virtudes para o mundo, seja uma pessoa discreta e não faz questão de se aparecer. O ser humano só pode evoluir através das suas virtudes, quando toma consciência disso se torna “virtude iluminada!”. Nunca faz as coisas para aparecer, e nem mesmo peça reconhecimento das pessoas, ergue a sua cabeça, segue o seu destino, e será guiado pelo Céu.

Não faça caridade indiscriminadamente, principalmente quando possui o sentimento de culpa, pois a pratica de caridade por culpa, provocará mais sofrimento. Nunca trabalhe com culpa e nem por vergonha, mas sim age sempre com consciência.

A caridade não pode ficar apenas limitado no campo humano, devemos praticá-lo com os animais, respeitando todas as formas de vidas. Assim como temos considerações com os humanos, devemos ter a mesma consideração com os animais, porque uma pessoa evoluída não enxerga diferença entre animais e humanos. Devemos aliviar ou até mesmo acabar o sofrimento das pessoas e os animais, pois é uma contradição muito grande, falar que é religioso, mas não gosta de animais. A virtude de uma pessoa pode ser medida de acordo como trata os animais, respeitam todas as formas de vidas, procurando sempre acabar com o sofrimento deles.

Por exemplo, quando andar na rua e ver um pombo comendo pão no meio da rua, pega o pão e joga em cima da calçada, senão o carro pode passar por cima dele. Se tiver comendo no restaurante e sobrou um pedaço de carne e passar um cachorro na hora, dá para ele. Não mata um inseto, só pelo fato de ser inseto. Não mate uma planta só por que ficou feia no seu quintal.

O ser humano deve aprender seguir o caminho natural da vida, faz as coisas sem intenção, tornando consciente dos seus atos, não se identifica com a caridade quando faz, considera como ato banal e sem importância, respeita e considera todas as formas de vidas tanto humanas como animal, que tudo isso será o caminho para compreender a Consciência Divina.

Que todos possam sentir bem e felizes!


Márcio de Andrade

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