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| Fazer caridade esperando recompensa divina, não é caridade! |
A prática da caridade é
a base de todas as religiões, onde os seus seguidores de uma forma muito
artificial, em que dedicam uma pequena parcela da sua vida na intenção de
ajudar o seu próximo. As pessoas realizam essa prática, não porque ama o seu
próximo, mas na forma de barganhar com Deus, pois acredita fazendo tais funções
irá ser recompensado. Então as pessoas falam “Faço isso pelo Cristo!”, “Faço isso pelo Budha!”, e assim por
diante, nunca faz por si próprio, mas sim, para ser recompensado pelos seus
atos. As pessoas são interesseiras, e não são muitos diferentes quando se
relacionam com Deus, porque acreditam realizando práticas espirituais serão
recompensadas com coisas materiais.
Uma vez um rei disse ao
monge: “Monge fiz muitas caridades,
construí templos, dei muito dinheiro para os monges, ou seja, doei terras e
dinheiros para Sangha. Então me responde monge, não sou um homem de virtude, e
quando morrer irei diretamente para o Céu!”. Então o monge respondeu: “Você não é um homem de virtude, e quando
morrer irá diretamente para o inferno. Você quis comprar o Céu, e Ele não pode
ser vendido!”.
Essa história reflete
muito bem para aquelas pessoas que dedicam as suas vidas nas igrejas e templos,
realizam trabalhos devocionais e voluntários, mas tudo na função de obter
recompensa materiais, esperando sempre o retorno. Quando a pessoa pensa dessa
forma, o Céu deixa de lado, nunca terá retorno dos seus “bons atos” que na
verdade foi um jogo de interesse com Deus.
De acordo com os Vedas existem
3 tipos de caridades, o modo da ignorância, da paixão, e da bondade. A caridade
no modo da ignorância é quando dá dinheiro para a pessoa comprar drogas ou
álcool, onde prejudica o individuo. Pode ser incluído também ajudar pessoas que
praticam atos ilícitos. O modo da paixão é quando a pessoa faz uma divulgação
da sua caridade na forma de se promover, por exemplo, ele faz uma doação para
uma escola, mas manda colocar uma placa para mostrar que foi ele que fez a
obra. O modo da bondade é quando faz as coisas sem interesse, nunca espera
resultados.
Às vezes a pratica da
caridade da ignorância, pode ser o modo da bondade, por exemplo, na rua havia
um homem bêbado pedindo para todo mundo pagar uma lata de cerveja para ele, mas
todo mundo se recursou, começaram a xingá-lo e até mesmo agredi-lo. Um outro
homem vendo a tal situação, viu que o rapaz era alcoólatra, não sabia mais o
que estava fazendo, então resolveu pagar 2 latas de cervejas, somente na
intenção do cara ir embora do local. O homem reparou se não fizesse isso, o
rapaz iria apanhar, então resolveu pagar a bebida para fazê-lo retirar do
local. Apesar de que nessa situação parece caridade no modo da ignorância, na
realidade foi no modo da bondade.
Nunca devemos levar o
conhecimento ao pé da letra, devemos aprender a interpretar o contexto da
história, o momento que ocorreu o fato, o que poderia acontecer caso não
intervisse a situação. Não devemos ser radicais com o nosso pensamento, mas sim
aprender analisar sempre a situação presente, qual é o contexto que está
ocorrendo na hora, para aprender agir de uma maneira correta e justa.
A verdadeira caridade é
quando não se identifica com ela, realiza as suas atividades e esquece em
seguida, porque se tornou tão normal, que ficou até mesmo banal. Não fica se
exibindo, querendo mostrar as suas virtudes para o mundo, seja uma pessoa
discreta e não faz questão de se aparecer. O ser humano só pode evoluir através
das suas virtudes, quando toma consciência disso se torna “virtude iluminada!”.
Nunca faz as coisas para aparecer, e nem mesmo peça reconhecimento das pessoas,
ergue a sua cabeça, segue o seu destino, e será guiado pelo Céu.
Não faça caridade
indiscriminadamente, principalmente quando possui o sentimento de culpa, pois a
pratica de caridade por culpa, provocará mais sofrimento. Nunca trabalhe com
culpa e nem por vergonha, mas sim age sempre com consciência.
A caridade não pode
ficar apenas limitado no campo humano, devemos praticá-lo com os animais,
respeitando todas as formas de vidas. Assim como temos considerações com os
humanos, devemos ter a mesma consideração com os animais, porque uma pessoa
evoluída não enxerga diferença entre animais e humanos. Devemos aliviar ou até
mesmo acabar o sofrimento das pessoas e os animais, pois é uma contradição
muito grande, falar que é religioso, mas não gosta de animais. A virtude de uma
pessoa pode ser medida de acordo como trata os animais, respeitam todas as
formas de vidas, procurando sempre acabar com o sofrimento deles.
Por exemplo, quando
andar na rua e ver um pombo comendo pão no meio da rua, pega o pão e joga em
cima da calçada, senão o carro pode passar por cima dele. Se tiver comendo no
restaurante e sobrou um pedaço de carne e passar um cachorro na hora, dá para
ele. Não mata um inseto, só pelo fato de ser inseto. Não mate uma planta só por
que ficou feia no seu quintal.
O ser humano deve
aprender seguir o caminho natural da vida, faz as coisas sem intenção, tornando
consciente dos seus atos, não se identifica com a caridade quando faz,
considera como ato banal e sem importância, respeita e considera todas as
formas de vidas tanto humanas como animal, que tudo isso será o caminho para
compreender a Consciência Divina.
Que todos possam sentir
bem e felizes!
Márcio de Andrade

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