Desde criança fui educado e disciplinado nas filosofias orientais, tudo começou com a minha querida tia Coralia, (irmã da minha mãe, que faleceu aos 88 anos, e sinto muito saudades dela) que ela e a minha mãe pertenciam a uma ordem chamado Antiga Ordem Fraternal dos Mantos Amarelos do Oriente, pelo mestre Savitre. Lá frequentava desde criança e foi onde me despertou os estudos sobre as religiões e a sua influência na sociedade.
A minha querida tia, sempre me ensinava sobre o budismo, que foi a minha base para a minha vida espiritual, aos 16 anos de idade procurei um mosteiro budista a linhagem Therevada no bairro da Santa Teresa, localizado na zona sul do Rio de Janeiro. Quando cheguei ao mosteiro pela primeira vez, vi o Venerável Vipassi descendo a escada, e fui falar com ele apertando a mão dele (que é proibido) e ele não consegui falar o meu nome, por que ele era natural de Sri Lanka e falava português muito enrolado.
Não sabia que naquele dia, iria mudar completamente de vida, pois nasceu uma relação de grande amizade entre mim e o monge, a tal ponto como fôssemos pai e filho, um sentimento fortíssimo de amizade e proteção de um sobre o outro. Ele me educou e disciplinou na educação budista, não pelas palavras (por que ele falava muito enrolado) mas sim pelo comportamento e o exemplo que o monge passava.
Não fui budista de final de semana, ia ao mosteiro todos os dias durante anos, aprendendo e estudando a filosofia budista. O mais engraçado é que nunca li um livro budista, pois a linhagem Therevada ainda obedece à tradição oral, e era tudo ensinado da boca para o ouvido, através de um mestre genuíno.
Depois de anos quis me tornar monge, onde morei quase 2 anos no mosteiro me preparando ordenar monge em Sri Lanka. Acabei não indo para Sri Lanka, por que a minha mãe quis comprar um apartamento, e se fosse para Sri Lanka, o dinheiro iria fazer falta na hora da compra. Entre ir para Sri Lanka ou comprar um apartamento, claro que escolhi a segunda opção.
Ficava o dia todo no mosteiro, limpando o templo, capinando, pintando, etc e a noite fazia a meditação e recebia as instruções do monge, pois de tanto conviver com ele, já estava acostumado com a fala dele.
O monge Vipassi foi uma pessoa excepcional, um santo em forma de pessoa, quem chegou a conhecê-lo pode afirmar que ele tinha uma áurea maravilhosa, pois pelo simples fato de estar perto dele, sentia uma vibração de paz profunda e felicidade. Sou um homem de muita sorte de ter sido discípulo dele, não apenas discípulo e mestre, mas de grandes amigos.
Toda vez que estava triste, o monge tentava me alegrar, ele sempre me oferecia chá com bolo, e sempre se preocupava comigo e me orientava para não seguir o caminho errado da vida. Sempre auxiliava o monge nos pujas (cerimonias) e quando o monge dava as benções, eu cortava os barbantes para ele colocar nos pulsos dos seguidores. No mosteiro tinha três cadelas Mag (poddle), Bonita (vira-lata) e Lili (Dog Alemão), vários gatos e a coisa que mais gostava era a visita dos micos pretos e do macaco prego. A coisa que achava mais bonito do mosteiro era quando o Vipassi alimentava os miquinhos na porta da sua casa. Nunca podia faltar banana para os macacos, o monge sempre ficava preocupado quando faltava banana, e mandava comprar na hora, para os bichinhos não ficarem com fome.
Época muito boa do mosteiro, pois se estou vivo agradeço ao mosteiro e ao meu grande amigo Vipassi, que me amparou no momento mais difícil da minha vida, onde todos tinham virado as costas para mim (menos a minha querida tia Corália e o monge Vipassi).
Em 2006, Venerável Vipassi falece devido com problemas de diabete, faleceu na Inglaterra e foi cremado em Sri Lanka, a sua terra natal. Ele também foi vitima da sua própria crença, por causa de pessoas mal intencionadas e inescrupulosas fizeram muito mal ao monge, mas isso é uma outra história. O Venerável Vipassi deixou muitas saudades, quando recebi a noticia do seu falecimento, chorei feito criança, passei muito mal (até chorei no momento que estava digitando) e pior de tudo não pude despedir do meu Grande Querido Amigo. Por isso, que o blog leva o nome dele, como uma forma de homenageá-lo e lembrar como ele foi importante. Adeus meu grande amigo, não pude despedir de você! Obrigado por tudo, pelos valores que você me ensinou, nós nos encontraremos na próxima vida!
Que o Budha seja louvado!
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Boa Tarde, Meu nome é:Suely Fernandes.
ResponderExcluirSou formada Manto Amarelo.
Fui Batizada por Mestre Savitre, e casada Na Fraternidade, a união Anchawala.